Sabe o que está de regresso ao nosso Centro? A Troca de Cromos! Regressou no dia 8 de setembro, e agora repete todos os segundos sábados do mês. Fomos falar com um dos maiores colecionadores do país. Ora veja lá se não é verdade!
A memória mais antiga que tem é a de ter pedido à mãe, com apenas 5 anos, que fosse à papelaria e lhe trouxesse todas as cadernetas de cromos que lá havia. O ano era o de 1978 e a caderneta (na altura, não havia outras de futebol nos escaparates) foi a do Mundial de 1978. Nesse ano, a Argentina conquistou em casa o seu primeiro título de campeão do mundo de futebol, e Portugal via nascer um dos mais aguerridos colecionadores de cromos: João Camilo.
O título não é um exagero. Os números falam por si: cerca de 1.500 cadernetas completas de cromos – sobretudo de futebol, mas também de basquetebol – e gastos anuais na ordem dos 2.000 euros. “Hoje, estou mais contido, até porque já tenho grande parte daquilo que queria”, confessa João, que em tempos idos chegou a investir mais de 10.000 euros em cromos por ano.
Nada que surpreenda quando olhamos para o espólio de João Camilo. Um mundo de cadernetas de campeonatos nacionais e internacionais, muito bem cuidado, onde não há vestígios de cromos fora do lugar – parece que foram todos colados a régua e esquadro. “Nisso sou um perfecionista, sou muito cuidadoso no que toca a colar os cromos”, afiança João.
Só de raiz, este colecionador já completou 500 cadernetas, tendo chegado a comprar mais de dez carteiras de cromos por dia. “Digamos que tenho gene de colecionador”, afirma. E os mais difíceis? ” Os cromos dourados, no geral, são sempre os mais difíceis, tal como o emblema do Uruguai (Mundial de 90) ou o emblema do Japão (no Mundial de 2018). Também me vi aflito para conseguir o cromo do francês Bossis no Mundial de 1978″.
Nascido em Cebolais de Cima, perto de Castelo Branco, este benfiquista, desiludido com o clube da Luz desde 1994, diz que encontrou um substituto à altura. “O Bayern de Munique é hoje a minha equipa de coração, sempre foi fiel às suas ideias, mesmo nas derrotas. Além de que sempre gostei da Alemanha e da Bundesliga, sendo que um dos meus primeiros grandes ídolos foi o jogador alemão Rummenigge”, conta o colecionador.
A carolice foi longe e começou a dar nas vistas. Tanto que João Camilo acabou por ter um convite “irrecusável”: colaborar com a Panini – a editora rainha no mundo dos cromos. “Foi completamente fortuito. Comecei por ser correspondente da Don Balón (revista espanhola), de 1996 a 2011. O diretor da Don Balón saiu, entretanto, para a Panini, em 2003, e convidou-me. Desde essa altura que escrevo todas as cadernetas de cromos que saem em Portugal, e escolho os jogadores. É um gosto enorme”, revela João.
Quando lhe perguntamos se há um fim à vista para as suas coleções de cromos, João é convicto na resposta: “É uma coisa que não equaciono. Os cromos sempre fizeram parte da minha vida. Tenho 46 anos, e vou levar os cromos até ao fim da minha vida, nem que dure mais 40 anos”.
São histórias como esta que pode encontrar no nosso Centro, na iniciativa Troca de Cromos, que regressou a 8 de setembro à Louresland. Depois, repete todos os segundos sábados do mês, sempre das 15h às 18h, no piso 1 do LoureShopping. E ouça o que João Camilo tem a dizer sobre o assunto: “É uma ótima iniciativa. Vibro sempre a ver miúdos e graúdos apaixonados pelas figurinhas. Sobretudo na fase que o mundo vive atualmente, em que é tudo virtual, descartável, imediato, penso que as coleções são fulcrais para os miúdos de hoje, até pela mensagem que passam. Uma coleção começa-se e termina-se. E também na vida, nunca devemos deixar as coisas a meio. Vamos até ao fim”.
Veja aqui a entrevista a João Camilo:



